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Após remoção à força, Glauber Braga compara tratamento com ocupação da oposição: ‘na base da porrada’

Por CNN Brasil

O deputado Glauber Braga, retirado à força após ocupar a cadeira da Presidência, afirmou que, diferente da oposição, que ocupou a bancada por 48 horas sem o uso de força enquanto protestava pela votação do projeto da anistia, com ele ‘foi na base da porrada’.

Nas imagens, é possível ver o deputado Glauber Braga levando uma gravata em meio à confusão na bancada, que reuniu deputados e também a Polícia Legislativa.

Jornalistas também sofreram agressões em meio à confusão. Uma jornalista chegou a levar um soco.

“Eu quero me solidarizar com a imprensa também que foi agredida e que teve o seu trabalho cerceado. Eu estou aqui há bastante tempo, há algum tempo pelo menos. Até hoje não tinha ouvido falar de cortarem o sinal da TV Câmara para que as pessoas não acompanhassem o que estava acontecendo dentro do plenário. A única coisa que eu pedi ao presidente da Câmara, Hugo Motta, foi que ele tivesse 1% do tratamento para comigo que teve com aqueles que sequestraram a mesa diretora da Câmara por 48 horas por dois dias em associação com um deputado que está nos Estados Unidos conspirando contra o nosso país”, afirmou Braga após ser retirado.

A retirada ocorreu depois que o parlamentar ocupou a cadeira da Mesa Diretora – momento em que o sinal da TV Câmara foi cortado e jornalistas foram orientados a deixar o plenário. As únicas imagens disponíveis são vídeos gravados por deputados e assessores.

Segundo relatos de parlamentares aliados, houve agressões contra deputados e deputadas que tentaram impedir a remoção. Vídeos mostram cadeiras caindo, agentes cercando Glauber e ao menos seis pessoas pressionando o deputado enquanto tentavam retirá-lo. Do lado do governo, o líder José Guimarães afirmou que tenta negociar uma saída pacífica, mas admitiu que a situação “saiu de controle”.

A tensão começou após o presidente da Câmara, Hugo Motta, afirmar mais cedo que o caso de Glauber pode ser levado ao plenário já nesta quarta-feira (10). A CCJ já aprovou o parecer pela cassação. O deputado, porém, contesta o fato de seu processo – motivado por uma agressão e enquadrado como quebra de decoro – ter sido incluído no mesmo bloco dos casos de Carla Zambelli, Eduardo Bolsonaro e Alexandre Ramagem, que envolvem condenações judiciais ou fuga do país.

Segundo Motta, a previsão é votar quatro cassações: as de Zambelli, Eduardo Bolsonaro, Glauber Braga e Alexandre Ramagem. No caso de Eduardo Bolsonaro, que acumula mais de 50 faltas, a decisão caberá apenas à Mesa Diretora; os demais devem ir ao plenário.

Enquanto ocupava a cadeira da presidência, Glauber afirmou que não deixaria o posto até que fosse retirada a possibilidade de votação de sua cassação. A deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP), sua esposa, e o deputado Tarcísio Motta (PSOL-RJ) permaneceram ao seu lado. Imagens da GloboNews, que segue transmitindo de fora do plenário, mostram parlamentares se aproximando para dialogar com o deputado.

O clima no Congresso é de incerteza e tensão. A Câmara ainda não informou quando – ou se – a sessão será retomada.

A representação que pode resultar na cassação de Glauber Braga foi protocolada pelo Partido Novo em abril de 2024.

Segundo o partido, o deputado se envolveu, dentro da Câmara dos Deputados, em confrontos físicos com o militante do MBL Gabriel Costenaro e com o deputado Kim Kataguiri (União-SP), um dos líderes do movimento.

De acordo com vídeos e depoimentos reunidos pelo Conselho de Ética, a discussão entre Glauber e Costenaro começou de forma verbal na Casa e terminou em empurrões e chutes do parlamentar contra o militante, numa tentativa de retirá-lo à força das dependências da Câmara.

Glauber alega que reagiu a provocações constantes feitas por Costenaro e outros integrantes do MBL a ele e a parlamentares aliados. Ele argumenta ainda que o militante teria atacado a honra de sua mãe, que morreu poucas semanas depois do episódio.

A briga não terminou quando Glauber conseguiu retirar Costenaro do prédio. A confusão continuou na área externa e precisou ser contida por policiais legislativos, que conduziram ambos ao Departamento de Polícia Legislativa (Depol) para prestar depoimentos.

No Depol, conforme documentos analisados pelo conselho, Glauber também discutiu com o deputado Kim Kataguiri, que havia ido ao local acompanhar Costenaro. O Novo afirma que naquele momento houve novas agressões praticadas por Glauber. Kataguiri negou ter sido alvo de violência, mas o relator do processo concluiu que as agressões existiram.

No parecer, o relator Paulo Magalhães afirma que não há “dúvidas” sobre a ocorrência das agressões e diz que as imagens das câmeras internas da Câmara corroboram a denúncia. Ele também destaca que, embora pessoas próximas tentassem impedir a ação de Glauber contra Costenaro, o deputado teria reagido de forma “desproporcional”.

Depois de descrever o embate entre Glauber e Costenaro, o relatório passa a mencionar outros episódios, alheios ao fato central da denúncia do Novo. São citadas condutas registradas em momentos diferentes, incluindo conflitos entre Glauber e o então presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).